PARA DEBATEDORES, BATALHA COMUNICACIONAL É CENTRAL NA LUTA POLÍTICA NO CONTINENTE

A batalha comunicacional na América Latina foi tema de debate neste sábado (10), durante o  3º Encontro Estadual de Blogueir@s e Ativistas Digitais de São Paulo. Historicamente dominado por oligopólios e monopólios midiáticos, o continente têm vivido experiências que deixam claro: não é possível transformar a realidade social sem superar o pensamento único dos meios privados de comunicação. A avaliação é dos jornalistas Leonardo Fernandes e Marco Piva.

Leonardo Fernandes: 'Para o Estado venezuelano, comunicação é direito de todos'Leonardo Fernandes: ‘Para o Estado venezuelano, comunicação é direito de todos’Ex-correspondente da TeleSur, Fernandes relatou sua vivência na Venezuela para ilustrar o cenário de embate midiático que está no centro da disputa política no país. Após a tentativa de golpe de Estado em 2002, protagonizada principalmente pelos meios tradicionais, aponta, Hugo Chávez compreendeu a dimensão da comunicação para a luta política. “A partir daí, a Venezuela passa a ter mais de dois mil veículos de comunicação alternativos, comunitários e populares. Hoje, devem ser muito mais, pois esse fomento tornou-se política de Estado”, conta.

Tendo vivido no país por cinco anos, Fernandes acredita que o avanço obtido pela Venezuela no campo midiático tem a ver com duas questões. O primeiro é o da importância de se construir alternativas aos grandes canais de radiodifusão – é o caso da TeleSur, que dispõe de grande estrutura e faz sólido contraponto aos meios comerciais.

A outra questão, complementa o jornalista, diz respeito à disputa da hegemonia, que tem mais a ver com a comunicação popular. “Transformar o paradigma da comunicação social na Venezuela é um dos nortes dos coletivos e comunicadores populares. Isso explica porque mesmo com uma maioria de meios privados à direita, a opinião pública segue plural em relação à política”, reflete.

O vasto universo dos coletivos de mídia venezuelanos consagrou-se pela decisão do governo em fomentar a comunicação popular, afirma Fernandes. “Financiar a comunicação desde o povo é uma política de Estado”, explica. “Algumas empresas públicas têm políticas de patrocinar pelo menos um meio popular ou comunitário que seja registrado no Ministério das Comunicações, como é o caso da Companhia Anônima de Telefones da Venezuela (CANTV)”.

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Para além de se fazer jornalismo, aprofunda Fernandes, há um esforço dos coletivos em elaborar espaços de formação em comunicação: “A concepção do Estado revolucionário é essa: a comunicação não é entendida como um serviço, mas como um direito cidadão. O Estado deve garantir que as pessoas se organizem para produzir comunicação”.

Apesar do momento de crise política, econômica e social pelo qual passa a Venezuela, Fernandes defende o país como um exemplo de defesa e garantia do direito à liberdade de expressão. “Ataca-se muito a Venezuela utilizando o argumento de uma suposta restrição à liberdade de expressão”, denota. “Muito por conta de o governo não ter renovado a concessão do canal RCTV em 2006, que foi uma ação legítima”. Para o jornalista, a Venezuela é um dos únicos lugares do mundo onde qualquer cidadão tem a possibilidade de fazer comunicação.

Marco Piva: 'Fortaleza, São Paulo, Maceió também são América Latina'Marco Piva: ‘Fortaleza, São Paulo, Maceió também são América Latina’Apresentador do programa Brasil Latino, na Rádio USP, Marco Piva ressalta que, enquanto os brasileiros continuarem “de costas” para os países e povos vizinhos, será difícil superar o bloqueio informativo em torno do que ocorre na região. “A temática da América Latina não está no dia a dia das pessoas. É como se fôssemos nós aqui e eles lá, os ‘outros’”, coloca. “Não é questão de idioma, é uma construção histórica que nos separa de países irmãos. Pensar a América Latina passa pelo desafio da comunicação”.

Segundo pesquisas, aponta Piva, a América Latina é a região do planeta que mais registra crescimento na participação popular em redes sociais. “É a região que mais investe tempo em mídias sociais”, salienta. O cenário, em sua avaliação, é fértil para pensar a comunicação contra-hegemônica. “Toda forma de comunicação vale à pena, no momento que vivemos”.

Para ilustrar, o jornalista recorre ao exemplo do New York Times, cuja direção justificou a força das redes para extinguir o papel do ombudsman no periódico. “O New York Times demitiu o ombudsman argumentando que, com as redes sociais, ele se torna obsoleto. Os próprios leitores, interagindo com o jornal nas redes, dão conta, de acordo com os diretores do jornal, de apontar erros e contradições”. Nesse sentido, Piva acredita ser fundamental debater os caminhos e desafios para a comunicação contra-hegemônica.

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